quinta-feira, 13 de agosto de 2009

As Dificuldades Enfrentadas no Dia-a-Dia

Olhar ao redor e deparar-se com alguma necessidade já apresenta tamanha dificuldade a enfrentar. Ao avaliar o mundo, de forma geral, são poucos os benefícios produzidos para uma vida com qualidade. Além de citar algumas barreiras, muitas ficaram para trás. O mundo não muda sem a conscientização do homem e, para isso, é necessário sentir na pele alguma privação para poder crescer humanamente e compreender a necessidade do outro.

Ao citar a infra-estrutura de uma grande cidade é notório não só fazer valer as leis, mas cumpri-las, com referência as necessidades das pessoas, especialmente para os portadores de qualquer necessidade especial em geral, para que tenham o direito de ir e vir como as outras preservando sua vida social, tendo emprego digno, formação e capacitação e estudo.

A luta e a vontade de viver dessas pessoas se destacam diante das dificuldades encontradas no dia-a-dia.

O transporte de um cadeirante em um coletivo público é difícil. São Paulo, a maior cidade do Brasil, possui um número de coletivos adaptados para transportar cadeirantes e seu acompanhante. Mas, não em fluxo favorável ao atendimento. Algumas companhias cumprem seu itinerário a cada 30 minutos, outras a cada hora, porém, a maioria, só disponibiliza um ônibus na linha, com o objetivo de cumprir a lei. Por muitas vezes portadores de necessidades especiais passam por privações e constrangimentos irreparáveis, não podendo cumprir seus compromissos em tempo hábil.

Ainda com relação ao transporte público, em São Paulo existe o projeto Atende da Prefeitura Municipal. São vans (peruas) que levam não só o cadeirante, mas outros deficientes ao seu destino, porém a quantidade também é insuficiente. O atendimento é mediante agendamento prévio e se houver vaga. Em diversas estações de trem e metrô ainda não existe acesso.

A falta de estrutura para qualquer tipo de deficiência apresenta-se de forma estrondosa em todos os âmbitos. Outros projetos estão sendo implantados para suprir as necessidades em evidência dessa população. Em evento realizado em 23 de julho de 2008 foi apresentado um modelo de táxi adaptado para o transporte de passageiros com deficiência física ou mobilidade reduzida com uma tarifa igualada ao táxi comum. O mesmo apresenta fácil acesso para transporte de cadeira de rodas, o que viabiliza um pouco mais o direito de ir e vir dessas pessoas.
Empresas como a Tecnobrás, sediada em Betim, Minas Gerais, vêm se especializando para trazer tecnologias mais acessíveis ao mundo, porém se não houver a conscientização populacional num todo o processo será bem lento, bem como as demais benfeitorias apresentadas até o momento.

A área da saúde vem apresentando inovações em tratamentos mais intensivos, porém neste ponto também apresenta problemas quanto à questão financeira, baseando-se no poder aquisitivo dessa população. De acordo com o poder aquisitivo do brasileiro, o mesmo não é suficiente para suprir necessidades básicas, quanto mais para atender o conforto do deficiente.
Clínicas e planos de saúde apresentam valores absurdos para um atendimento de qualidade. A saúde pública apresenta lista de espera para iniciar um tratamento, e as próteses são avaliadas fora de um padrão real para com a renda familiar brasileira.

Das dificuldades encontradas no dia-a-dia é possível relacionar diversas situações conforme as necessidades de cada pessoa.
[1] VÁZQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. (L. F. Cardoso, trad.) Rio de Janeiro: Paz e Terra (trabalho original publicado em 1967), 1986.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que é “o Diferente”?

Diz a Bíblia Sagrada: “Somos todos iguais perante os olhos de Deus”. Esse ensinamento não é seguido pela humanidade, pois em pleno século XXI, ainda vivemos com o preconceito.
O Dicionário “Aurélio” define o diferente como: que não é igual; que difere; desigual; modificado.[1]

Logo, ao analisar com atenção os significados atribuídos ao termo, nota-se que não há sentido pejorativo em nenhum deles. De acordo com estas definições, pode-se encarar o diferente apenas como algo que não é igual.

“A diversidade também guarda em si a possibilidade da anulação do outro, quando se agrega ao conceito de diferente a valoração de melhor/ pior, inferior/ superior”, afirma o Conselho Estadual de Educação de São Paulo, na Deliberação CEE nº 46/05.
A referida Deliberação também cita o lado positivo do diferente:

“A possibilidade da construção de conceitos cada vez mais complexos se faz pela comparação constante das semelhanças e diferenças; o emocional se fortalece, a identidade se constrói, os mecanismos de comunicação se aceleram”.[2]
Já MOREIRA, comenta que Freud[3], afirmou que o diferente é entendido como uma falha inadmissível na cultura narcísica da violência, ou seja, se tal coisa não condiz com a forma de pensar narcísica (paixão por si mesmo). Para ele, o diferente varia de pessoa para pessoa. O que é diferente para uns, pode ser absolutamente normal e aceitável para outros.

Para Skliar, pesquisador da área da educação da Faculdade Latino-americana na Argentina, para aceitar o diferente, sem que haja preconceito, é necessário separar rigorosamente, a “questão do outro”, que é uma questão filosófica, da “obsessão pelo outro”, que é uma questão política.

“Pensar que as mudanças se fazem e se resolvem exclusivamente a partir dos ministérios, secretarias ou universidades é uma falácia. O mesmo sistema — político, cultural e educacional — que exclui não pode propor a inclusão. A não ser que seja para continuar controlando aos indivíduos” é importante não pensar as mudanças em termos de reformas que se compram e se vendem, como textos ou leis que “nos deixam isolados, sem atuação no processo.[4]”

Skliar faz parte da corrente que pensa na diferença simplesmente como uma diferença, nem pior nem melhor.

A frase “Ninguém é igual a ninguém” pode ser considerada de conhecimento popular e reflete a verdade parcial, mas vaga, por não exaltar a importância do diferente.
Para Vázquez, “A essência não se manifesta de maneira direta e imediata através de sua aparência, e que a prática cotidiana — longe de mostrá-la de modo transparente — o que faz é ocultá-la”.[5]

De acordo com a jornalista da rede Globo, Mariana Godoy, as deficiências de ordem motora e visual em nenhum momento interferem no exercício da profissão, seja ela jornalismo, radialismo ou qualquer outra área referente à comunicação, uma vez que, com o uso do bom senso e respeitando as suas limitações físicas, todo profissional com formação e capacitação está apto ao mercado de trabalho. Uma vez que, segundo a própria jornalista, esses profissionais não encontram mais obstáculos do que os já encontrados para o convívio junto à sociedade em seu dia-a-dia.[6]

[1]FERREIRA, A.B.F. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 2. ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1.986
[2] SÃO PAULO. Deliberação CEE n. 46/05 de 31.mar.2.005. Acesso 14.Maio.2.008
[3]FREUD, Sigmund. Apud MOREIRA, Leliane M. A. Gliosce Artigo: Psicanálise de crianças: de que estamos falando? <> Acesso 16.Maio.2.008.
[4] SKLIAR, Carlos. As Armadilhas de um Sistema de Exclusão. Artigo disponível em: Acesso em 23.set.2008
[5] VÁZQUEZ, A. S. Filosofia da práxis. (L. F. Cardoso, trad.) Rio de Janeiro: Paz e Terra (trabalho original publicado em 1967), 1986.
[6] Entrevista concedida aos autores em 12 de maio de 2008.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Termos Utilizados Popularmente

Ao longo dos anos, os portadores de necessidades especiais são designados por diversos termos. No começo eram denominados “inválidos”, isso sem sentido pejorativo, porém representava para a sociedade um peso morto, alguém sem valor. Posteriormente, passaram a ser chamados por “incapacitados”, aqueles que não eram capazes. Por volta de 1960 até 1980 “defeituosos”, significava indivíduos com deformidade. “Deficientes” era o termo em que o indivíduo apresentava deficiências física, mental, auditiva, visual ou múltipla, que o levava a executar as funções básicas de vida de forma diferente daquelas sem deficiência. “Excepcionais” era utilizado para designar os de deficiência mental.

Conforme SASSAKI (2.003), esses termos eram utilizados pela sociedade focalizando as deficiências em si, mas sem reforçarem o que as pessoas não conseguiam fazer como a maioria. Por volta de 1990 surge o termo “pessoas especiais”. Tal expressão surge numa tentativa de amenizar a contundência da palavra “deficiente”. Ainda segundo o autor, o “especial” não é qualificativo exclusivo das pessoas que têm deficiência, pois se aplica a qualquer pessoa”.[1]

Portadores de direitos especiais (PODE), termo utilizado por Frei Betto no jornal O Estado de S. Paulo[2] em maio de 2002, também não se apresenta como um marco para denominar pessoas com necessidades especiais.

Tais termos têm sido considerados preconceituosos e inadequados, pois os mesmos levam consigo uma carga negativa e depreciativa da pessoa, fato que foi, ao longo dos anos, se tornando cada vez mais rejeitado pelos especialistas da área e em especial pelos próprios portadores.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), conceitualiza deficiência como termo usado para definir a ausência ou a disfunção de uma estrutura psíquica, fisiológica ou anatômica, diz respeito à biologia da pessoa. A expressão pessoa com deficiência pode ser aplicada referindo-se a qualquer pessoa que possua uma deficiência. Deve-se observar que, em contextos legais, ela é utilizada de uma forma mais restrita e refere-se a pessoas que estão sob o amparo de uma determinada legislação.

Segundo Malheiros , “A condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa, a qual não porta sua deficiência. Ela a tem”.[3]

Para Sassaki: “Em cada época são utilizados termos cujo significado seja compatível com os valores vigentes em cada sociedade”[4]
O autor diz ainda que a tendência é de parar de usar a palavra ”portadora”. Para ele:
“A condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa e esta pessoa não porta sua deficiência. Ela tem uma deficiência. Tanto o verbo “portar” como substantivo ou adjetivo “portadora” não se aplicam a uma condição inata ou adquirida que faz parte da pessoa”.[5]

Ele diz, também que, em quase toda a totalidade dos documentos sobre o assunto há o consenso em adotar a expressão “pessoas com deficiência” nas manifestações.
Foi um grande avanço da sociedade, reconhecer que a pessoa portadora de alguma necessidade especial pode apresentar capacidade residual, mesmo que reduzida. Ao mesmo tempo, considera-se que a deficiência de qualquer tipo elimina ou reduz a capacidade da pessoa em todos os aspectos: físico, psicológico, social, profissional, etc.

É importante compreender que jamais haverá um único termo correto, definitivo para chamar pessoas com algum tipo de deficiência, isso porque a cada época são utilizados termos cujo significado é compatível com os valores vigentes em cada sociedade, enquanto esta evolui em seu relacionamento com as pessoas que possuem qualquer tipo de deficiência.

Movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo o Brasil, estão debatendo o nome pelo qual desejam serem chamadas. Mundialmente, já fecharam a questão: querem ser chamadas de “pessoas com deficiência” em todos os idiomas. Termo que faz parte do Texto Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidade das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Assembléia Geral da ONU em 2004.

Foram utilizados princípios básicos para chegarem a esse nome tais como:

· Não esconder ou camuflar a deficiência;

· Não aceitar o consolo da falsa idéia de que todo mundo tem deficiência;

· Mostrar com dignidade a realidade da deficiência;

· Valorizar as diferenças e necessidades decorrentes da deficiência;

· Combater neologismos que tentam diluir as diferenças, tais como “pessoas com capacidades especiais”, “pessoas com eficiências diferentes”, “pessoas com habilidades diferenciadas”, “pessoas deficientes”, “pessoas especiais”;

· Defender a igualdade entre as pessoas com deficiência e as demais pessoas em termos de direitos e dignidade, o que exige a equiparação de oportunidades para pessoas com deficiência atendendo às diferenças individuais e necessidades especiais, que não devem ser ignoradas;

· Identificar nas diferenças todos os direitos que lhes são pertinentes e a partir daí encontrar medidas específicas para o Estado e a sociedade diminuírem ou eliminarem as “restrições de participação” (dificuldades ou incapacidades causadas pelos ambientes humano e físico contra as pessoas com deficiência).

[1] SASSAKI, Romeu K. Vida independente:conceitos,filosofia e fundamentos, São Paulo: RNR, 2.003 p.12-16 apud, . Acesso em 05 abr.2.008.
[2] O Estado de São Paulo, publicação maio.2002, apud Sassaki.“Como Chamar as Pessoas que têm Deficiência”. Artigo disponível em:<> Acesso em 05.abr.2008.
[3] Entrevista concedida pelo Prof. Dr. Antonio C. Malheiros das Faculdades Integradas Rio Branco em 1.Set.2.008.
[4] SASSAKI, Romeu K. Vida independente:conceitos,filosofia e fundamentos, São Paulo: RNR, 2.003 p.12-16 apud, . Acesso em 05 abr.2.008
[5] Idem.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Dificuldade das Empresas na Contratação


Apesar de muito se discutir a contratação de portadores de necessidades especiais, diversas empresas ainda não se encontram aptas a receber o profissional em questão, bem como muitos portadores não se encontram capacitados para atender as necessidades do mercado de trabalho.

A promoção da educação inclusiva, fundamentada no princípio da universalização do acesso à educação e na atenção à diversidade, requer uma filosofia de educação de qualidade para todos e vem atender a essa demanda. A Declaração de Salamanca[1], de junho de 1994, preconiza a educação inclusiva para todos, tenham ou não uma deficiência, favorecendo seu crescimento e os capacitando para o trabalho.

A educação inclusiva é uma questão de direitos humanos e implica na definição de políticas públicas, traduzindo nas ações institucionalmente planejadas, implementadas e avaliadas, facilitando assim, contratações para o mercado de trabalho.

Algumas empresas e de fato têm contratado, o surdo, o cego, o portador de paralisia infantil, dentre outros. O profissional que usa cadeiras normalmente trabalha em empresas de telemarketing como operador de atendimento, independente de sua formação. Mesmo nessas empresas a adaptação ainda não é favorável, pois os mesmos utilizam baias iguais aos demais funcionários, dificultando sua postura física para o trabalho, banheiro adaptado a uma longa distância da área, descoberta para transição o que, em tempos de chuva se torna inviável sua permanência na empresa.

De acordo com STODDARD apud PASTORE, (2000), as limitações são encaradas como um problema individual, e que pouco podem ser aliviadas, através de uma efetiva participação social. Grande parte dos portadores de deficiência apresenta limitações superáveis diante de pequenas acomodações no local de trabalho, apesar disso a maioria continua com menos chance de trabalhar, quando trabalham ganham menos e apresentam uma enorme segurança no emprego.

A questão da reintegração da pessoa deficiente no mercado de trabalho não é um problema das empresas, mas das pessoas. Ao ser habilitada/reabilitada para o mercado de trabalho, essa mão-de-obra poderá ser aceita pelo mercado, desde que seja aprovada nos testes de seleção.

A Lei de Cotas obriga empresas a contratarem pessoas com deficiência e, se não for cumprida acarreta multa. Porém, as companhias esbarram no desafio de incluir no ambiente de trabalho pessoas que precisam superar barreiras, citadas anteriormente, como baixo nível de escolaridade, entre outros fatores.

Apesar dos esforços, muitas estão com dificuldades para desenvolver projetos de admissão bem estruturados, que supram as exigências da Lei de Cotas. As empresas esbarram nas discriminações do passado quando os deficientes eram excluídos, com freqüência, pela própria família, do ensino com qualidade e principalmente do convívio social.

Quando a empresa cresce aumenta a oferta de emprego; mais empregos menos desempregados, melhores condições sociais, melhor qualidade da força de trabalho e mão-de-obra mais qualificada melhoram a produtividade; a empresa cresce mais e o ciclo, então fecha. O PIB (Produto Interno Bruto) do país aumenta e o governo arrecadará mais imposto e investirá em educação, saúde, transporte, justiça, segurança.

A questão da reintegração da pessoa deficiente no mercado de trabalho é mais uma questão de reeducação e profissionalização, administradas por entidades de formação profissional. Devendo essas entidades colocar no mercado de trabalho profissionais hábeis e capazes de realizar as tarefas necessárias aos empregadores. Entidades como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) já fazem certos trabalhos de habilitação aos portadores de deficiência, como as oficinas de marcenaria, jardinagem, entre outros, mas pouco rendoso e com pouca qualificação para o mercado de trabalho. Mas 50% das entidades desconhecem a norma NBR/9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, que padroniza a adequação das edificações e do mobiliário urbano à pessoa deficiente.

Observa-se ainda que, até grandes empresas da área de comunicação alegam estar em fase de adaptação, e esse profissional terá que aguardar um pouco mais para sua contratação.
Segundo, Denise Almeida, funcionária do setor de Recursos Humanos do grupo Estado de S. Paulo, há diversos portadores de necessidades especiais atuando em distintas áreas profissionais, mas com relação sobre ao usuário de cadeira de rodas, o mesmo ainda não faz parte do quadro de funcionários por falta de adaptação física.[2]

Para o apresentador do Grupo Bandeirantes de Comunicação, Otávio Mesquita, as estruturas físicas das principais empresas de comunicação por serem antigas não oferecem acessos adequados, principalmente aos cadeirantes, o que tende a melhorar em novas construções[3].

[1] DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, apud: Acesso 31.Out.2008.
[2] Entrevista concedida aos autores em 24.jul.2008.
[3] Entrevista concedida aos autores em 03.jul.2008.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Mercado de Trabalho

Durante muito tempo, os portadores de deficiência física, sensorial ou mental foram cuidados pela caridade e filantropia. Por ignorância e medo, as sociedades evitavam o contato e bloqueava o seu trabalho. Ainda hoje, devido à persistência de desinformação e inadequação das condições de arquitetura, transporte e comunicação, muitas pessoas talentosas e produtivas são afastadas do mercado de trabalho. Nada justifica tratar os portadores de deficiência dessa forma. Ao contrário, com a elevação de seu nível educacional e advento das tecnologias de telecomunicações e informática, o número dos que têm condições de produzir com qualidade, aumenta a cada dia. A maioria apresenta limitações superáveis mediante arranjos institucionais e acomodações no trabalho.

De acordo com Pastore, muitos países usam o sistema de reserva de mercado com base em cotas. Mas nenhum teve sucesso com base exclusiva em cotas.[1] As leis de mercado não seguem automaticamente as leis do parlamento. Pela natureza de suas atividades, muitas empresas não têm condições de cumprir as cotas. Outras, pelo seu tamanho avantajado, não encontram portadores de deficiência em número e capacitação suficientes para preencher sua cota. Há ainda os casos de empresas que não têm recursos para fazer as necessárias adaptações para receber pessoas que exigem cuidados especiais.
Para a Organização Mundial do Trabalho (OIT), uma pessoa é portadora de deficiência para o trabalho quando a possibilidade de conseguir, permanecer e progredir no emprego é substancialmente limitada em decorrência de uma reconhecida desvantagem física ou mental. (Convenção n. 159).[2]

De acordo com Pastore[3] , o mercado de trabalho, em todos os países, é mais restrito aos portadores de deficiência e suas causas são múltiplas. São inúmeros os fatores que conspiram contra a inserção de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho, isso vai desde e preconceito e a má formação, até a falta de educação, ausência de qualificação e inexistência de estímulos para as empresas.

Cada vez mais o mercado de trabalho torna-se exigente e competitivo, em função disso as empresas estão sendo pressionadas a adotar novas tecnologias e novas formas de trabalhar para vencer essa competitividade do mundo globalizado.

Para Cavalcanti:
“Os portadores de deficiência não necessitam de medidas preferenciais, mas sim de remoção de barreiras que impedem a sua inserção no mercado de trabalho. O grande entrave da inserção e manutenção do portador de deficiência no mercado de trabalho está: a) na carência de qualificação profissional; b) na carência dos sistemas de habilitação e reabilitação e c) na falta de estímulos econômicos que facilitam a sua contratação pelas empresas”[4].

[1] PASTORE, José. Apud. O Trabalho dos Portadores de Deficiência. Artigo disponível em Acesso em 08.set.2008
[2] Organização Internacional do Trabalho (OIT) – Convenção n. 159 de 20 de junho de 1983, apud periódico Revista do Direito Trabalhista N.11 Reg.13/97 Edição: Nov.2004.
[3] Idem
[4] CAVALCANTE, Jouberto de Q. P & NETO, Francisco F.J.apud Artigo. Periódico Revista do Direito Trabalhista N.11; p. 17, Reg.13/97 Nov.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Portador de Deficiência como Profissional de Jornalismo

Hoje existe uma parcela representativa de portadores de necessidades especiais que estudam, e os cursos de comunicação são atraentes para esses acadêmicos. Por ter certa deficiência este profissional é mais exigido do que os outros e daí vêm a sua preocupação em qualificar-se para atender as demandas dos setores de comunicação social, pois ele será obrigado a se expressar e se comunicar com o mundo como um todo. O fato é resultado de uma política ativa para o acesso de portadores de necessidades especiais ao conhecimento e às oportunidades do ambiente de trabalho.

Um personagem que ganhou evidência e espaço na mídia ultimamente foi à jornalista Lia Crespo. Formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, no ano de 1979, Crespo convive com seqüelas de paralisia infantil desde um ano de idade. Estudou em escolas públicas, porém o ano de 2000 foi especial para ela, pois conquistou o grau de Mestre em Ciências da Comunicação (ECA/USP), com o desenvolvimento do trabalho “A imagem das pessoas com deficiência na mídia impressa”.

Hoje a jornalista se dedica ao seu doutorado em História, na USP, focando a trajetória do movimento social das pessoas com deficiência. Ela foi uma das fundadoras do Núcleo de Integração de Deficientes e, atualmente participa do Centro de Vida Independente Araci Nallin, além de escrever livros voltados à educação inclusiva.

Várias pessoas com deficiência atuam no campo jornalístico, porém com lesão mínima aparente. Uma delas é Boris Casoy, que afirma: “Eu não vejo os órgãos de imprensa com essa preocupação. Essa preocupação não chegou aos órgãos de imprensa. Há deficientes que se adaptam à redação, mas eu não tenho visto a redação estar preparada, inclusive sob o aspecto físico. Sobre o aspecto de trabalho eu não vejo grandes obstáculos a alguns tipos de deficiências, mas, por exemplo, em várias organizações que eu trabalhei, não havia essa preocupação e alguns lugares começam a ter essa preocupação com a acessibilidade. E eu não vejo muitos deficientes, por exemplo, na redação da Rede Bandeirantes de Televisão, eu não vejo nenhum deficiente, ninguém com problemas de mobilidade trabalhando aqui. Ah tem, tem deficiente trabalhando aqui, eu já me lembrei”[1].

Por outro lado, afirma o também jornalista Otávio Mesquita: “Eu acho que deveria ter um acesso maior aos problemas que os deficientes passam. Eu particularmente já fiz reportagem sobre isso e fiquei um dia inteiro, em uma das matérias que fiz, eu fui cadeirante, e tive uma vida normal, desde o momento em que acordei até o momento em que fui dormir. Fiquei o dia inteiro sentado e confesso a que eu fiquei assim muito chateado, porque eu não conseguia andar em uma calçada, a calçada estava quebrada . O restaurante que eu fui não tinha estrutura de rampa, então era muito complicado; tomar táxi era uma complicação, ônibus nem pensar, enfim é uma tristeza”[2].

Alguns cadeirantes, porém raros, podem ser encontrados em algumas empresas de telemarketing, independente de sua formação acadêmica.

Representantes de grandes grupos empresariais e, até mesmo o setor de recursos humanos, são unânimes em não contratar esse tipo de deficiente, pois além de um preconceito vasto, a visão não agrada aos olhos do público e demais funcionários, conforme afirma o profissional Luiz Carlos Lopes, portador de necessidades especiais.

Sobre alguma situação problemática na empresa ele afirma que nunca passou e comenta: “Não. Nessa empresa nunca. Tem coisas muito veladas, tem coisas que você não pode assegurar, mas ouve um caso aqui na Ricardo Viveiros, mas não foi problema na empresa e sim com um cliente da empresa. É até curioso, pois foi justamente um hospital que foi nosso cliente, o Hospital São Luis. Nesse hospital eu fui responsável pela cota, e 15 dias depois, ia pedindo reuniões, e aquilo não avançava. Mais tarde eu fiquei sabendo pelo meu chefe que na época a responsável pela área de marketing tinha solicitado a troca do atendimento porque entendia que eu não poderia acessar algumas dependências do hospital. Isso chegou até a ser ridículo, porque se eu não puder entrar de cadeira de rodas em um hospital!” [3]

Fala-se em demasia sobre responsabilidade social, porém nenhuma forma de integração social foi suficiente para garantir ou exigir mudanças de atitude, espaço físico, objetos e práticas sociais necessárias para receber essas pessoas como cidadãos aptos a enfrentar as dificuldades da sociedade. A sociedade brasileira ainda não está pronta a perceber que a qualquer momento alguém “normal” pode enfrentar o estágio “deficiência”, podemos mencionar aqui o caso de Marcelo Rubens Paiva, escritor, que ao mergulhar no lago de um sítio fraturou a coluna.

Ao ver de uma sociedade mais justa na Inclusão social, o indivíduo ao nascer já é inserido na família, por isso é registrado independente de sua condição física, mental aparente, porém no campo profissional, essa depende ainda de ajustes, para Luis Carlos Merten, jornalista atuante no Jornal O Estado de São Paulo: “mesmo com a consciência das limitações, eu acho que a gente, o céu é o limite, a gente deve tentar ir além das suas limitações, eu acho que todos nós só crescemos”. Sua trajetória profissional apresentou-se de forma muito particular. “Nunca o fato de eu ter uma deficiência, é, nunca impediu que eu levasse aquilo, [...].Eu por exemplo, não tenho uma mão e um braço...Já saltei de pára-quedas e eu não reconheço, digamos assim, um limite, e o meu exercício profissional, ele é antenado com essa preocupação, que a sociedade deve ter hoje em dia, até porque existem agora leis, existem preocupações com essa inclusão. Lá atrás, não havia isso, eu tive o privilégio de que em uma época, em que não havia essa preocupação, mas eu acho importante é que isso exista realmente, mas é eu não percebo muito. Na empresa em que eu trabalho, até que tem mais um ou outro caso, mas é que ainda são, como que eu vou te dizer? São coisas assim isoladas e tem empresas jornalísticas inclusive nesse caso nenhuma. O entrave físico é uma limitação, mas não é um obstáculo intransponível.”

O termo Reinclusão Social serve apenas para pessoas normais que por ventura passam por alguma intercorrência e retomam suas vidas readaptando-se a novas circunstâncias.

Tatiana Rolim, autora da obra “Andar sobre Rodas”, afirma: “hoje as pessoas portadoras de deficiências, são tidas na nomenclatura nova de apenas pessoas com deficiências. Já veio aí de outras mudanças, aspecto cultural, aleijado, coitado, manco, portador de necessidades especiais, portador de deficiências e agora é simplesmente pessoa com deficiência. Isso tudo na verdade, repete que todo e qualquer profissional deve se atualizar. Eu fiz uma vez, uma matéria pra uma revista e eles utilizaram lá um termo, se reabilitou da cintura pra cima, não é verdade, me reabilitei inteiro, não da cintura pra cima, eu sou uma mulher completa, tenho minhas dificuldades como qualquer outra pessoa com lesão medular, mas superadas e reabilitadas de uma forma integral. Então, é uma chamada pra que esses profissionais tenham uma qualificação. ... Então, para mudar também essa questão da deficiência a pessoa tem que estar no mínimo qualificada para saber do que se trata o assunto”[4].

[1] Entrevista concedida aos autores em: 08.set.2008
[2] Entrevista concedida aos autores em: 08.set.2008
[3] Entrevista concedida aos autores em 16.out.2008
[4] Entrevista concedida aos autores em: 08.set.2008

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Campos de Atuação e a Relação Jornalista e Notícia

O jornalismo é uma função que envolve a comunicação, sendo uma atividade que envolve a informação. O jornalista é o profissional deste segmento, e pode atuar em vários campos de trabalho como a assessoria de imprensa, internet, jornal, rádio, revista, televisão entre outros.

O jornalista atua com a notícia. Todos os fatos que gerem, levantem uma relevância para a sociedade, terá seu destaque no jornalismo. Cabe ao jornalista escolher, temas que interessem ao ouvinte, telespectador ou leitor.

Toda notícia deve ter alguns quesitos básicos:

1) Novidade: as informações devem ser novas e nunca repetidas;
2) Proximidade: notícias locais interessam públicos locais, ou seja, da mesma região de onde são veiculadas, pois mexe com sua vida;
3) Tamanho: devem ter um tamanho médio, pois tanto notícias grandes ou pequenas, prejudicam a imagem do veículo;
4) Relevância: toda notícia deve ser significativa.

As notícias chegam nas redações, através dos repórteres, correspondentes, agências de notícias e as assessorias de imprensa. É válido também no jornalismo as denúncias feitas por cidadãos comuns, cabendo ao jornalista checar as informações de suas fontes[1].

O jornalista trabalha com a pauta, que é a seleção de assuntos que serão abordados em uma edição, a apuração que chega todas as informações, e detalhes sobre a pauta que será trabalhada e com a edição, a finalização de todo o material coletado, onde extrairá informações menos interessantes[2].

Hoje os jornalistas trabalham na mídia impressa, em jornais e revistas, mídia digital com sites e blogs, nas emissoras de Tv e emissoras de rádio. Existem as chamadas funções auxiliares onde atuam os colunistas, comentaristas, o ombudsman e o secretário de redação. Nas chamadas funções extra-redação, têm-se os assessores de imprensa e os correspondentes internacionais.

A gama de recursos tecnológicos disponíveis para o profissional de comunicação é crescente e, por essa razão, sua responsabilidade aumenta e o nível de exigência do público em geral tem sido cada vez maior. Para atender essa demanda, informação e aquisição de conhecimentos tornam-se fatores de suma importância para a vida dessas pessoas, podendo ser considerado mais um desafio da profissão.

Na era da globalização crescer e desenvolver é fundamental ao profissional de comunicação informando-se acerca de tudo que ocorre à sua volta, tanto em termos de notícias quanto de novas tecnologias, preocupando-se em realizar uma comunicação simétrica, para que da forma mais ética possível, ele possa passar informações sem defender apenas o interesse de um dos lados, realizando o trabalho que lhe foi proposto e levando em consideração o público.

[1] LUSTOSA, Elcias. O texto da notícia. Brasília, Unb, 1.996.
[2] Idem.